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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Crónica de António Gomes: As 4 faixas


As 4 faixas
 

É sabido que a Av. João Paulo II, (estrada entre as duas rotundas na entrada da cidade junto à A23) necessita urgentemente de obras. O seu pavimento encontra-se, em boa parte, em estado considerado mau, o trânsito é muito e este troço é a entrada principal da cidade.

Obras precisam-se.

O Partido Socialista fez aprovar obras para aquele troço de 500m. 500m de avenida com 4 faixas, nem mais nem menos. Meio milhão de euros!

Numa altura de vacas magras, de dificuldades financeiras várias, de dívidas de quase 30 milhões de euros à banca e principalmente de compromissos assumidos que nunca se cumprem em matéria de rodovia, não dá para entender.

Há vários anos que o PS anda a prometer a reconstrução/pavimentação das estradas e ruas na freguesia de Chancelaria, Pena e Casal da Pena/Rexaldia/Pafarrão, que se encontram num estado miserável, a ultima das promessas foi em junho e eu ouvi, era na semana seguinte.

Há vários anos que existe a promessa do arranjo do largo de Casais de igreja e da estrada de Assentis a Beselga, na freguesia de Assentis.

Há vários anos que existe a promessa de intervenção na zona industrial de Riachos, ou o arranjo da estrada de Riachos a Boquilobo, que se encontra intransitável.

Há vários anos que vamos vendo a degradação acentuada da estrada nacional 3 – Nicho de Riachos/Botequim, principal canal de ligação ao vizinho Entroncamento.

Há vários anos que assistimos ao estado miserável da calçada António Nunes e à falta de respeito para com os seus moradores.

Há vários anos que se esperam obras de pavimentação em Pé de Cão, Brogueira, Vale da Serra, Liteiros, etc., etc.

Há muitos anos que vamos assistindo à degradação e ao abandono total do nosso rio.

Mas agora vamos ter 4 faixas, são as 4 faixas que se sobrepõem a todas as ruas e largos das freguesias rurais.

São opções. E o PS optou por esquecer as pessoas que vivem fora da sede de concelho e que necessitam de se deslocar para a sede do concelho, ou outro local qualquer, pois é lá que se encontram as instituições ou os empregos de que as pessoas necessitam.

A Av. João Paulo II necessita de obras, mas as 4 faixas poderiam ficar para um tempo de maior folga orçamental e acudir àqueles que todos os dias têm de destruir um pouco mais os seus veículos.


António Gomes

 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Crónica do António Gomes : O carreiro das cobras


 
 
O carreiro das cobras

 

O “carreiro das cobras” é um caminho de terra batida rodeado de arbustos, de vários sobreiros, azinheiras e carvalhos, arvores centenárias únicas no perímetro urbano da cidade de Torres Novas.

Este caminho vai acabar. O alcatrão e o betão armado vão tomar o lugar do verde e daquela paisagem campestre que ali existe. Aliás as árvores majestosas já estão marcadas para abate.

Lamento profundamente que as opções políticas sejam sempre neste sentido. Trata-se de optar entre o interesse público e o interesse privado. Só o Bloco de Esquerda votou contra esta opção.

Aquilo que em alguns locais é transformado em oportunidade, que neste caso é ter o campo dentro da cidade, protegendo o meio ambiente, assegurando um futuro com respeito pela natureza e permitindo às gerações futuras usufruírem de mais qualidade de vida, em Torres Novas o caminho é ao contrário, o cimento e o alcatrão são os ingredientes da paisagem ideal.

Julgo que outra dúvida legítima e pertinente se levanta, falo das prioridades dadas às obras, neste caso às obras de redes viárias. Quando existe um número significativo de estradas, em particular nas freguesias rurais do concelho em estado miserável, quando a Av. João Paulo II, principal artéria de entrada na cidade de Torres Novas se encontra à beira da rotura, quando a EN3 - ligação ao concelho vizinho, Entroncamento, se encontra quase intransitável, vai o município gastar mais de 223 mil euros na infraestruturação de uma estrada que não serve a ninguém. Trata-se de um loteamento, dizem. Mas mesmo assim, será que se justifica? Julgo que não.

Quanto aos procedimentos de permuta de terrenos para o alargamento do “carreiro” também deveria ser melhor explicado. Tira-se de um lado (carreiro das cobras) e dá-se do outro (av. dos Negréus), mas é preciso dizer que estes terrenos privados, com a construção da via, valorizam nos dois extremos.

Mas a cidade perde.

Antonio Gomes


domingo, 25 de janeiro de 2015

Crónica de António Gomes - A Grécia, aqui tão perto


 
 
 
 
 
 
 
 
A Grécia, aqui tão perto

No próximo domingo, muita coisa pode mudar na Europa. As eleições neste país da União Europeia podem vir a ser o princípio de uma grande mudança no velho continente.

A confirmarem-se os resultados eleitorais que as sondagens apontam, vitória eleitoral do Syriza, da esquerda grega, estes podem muito bem ser o princípio do novo, do cortar as amarras que nos tolhem os movimentos há demasiado tempo. Precisamos todos de respirar o ar puro que sopra do país que inventou a democracia.

Milhões de trabalhadores e trabalhadoras, de jovens sem emprego e sem futuro, de desempregados/as sem esperança, desiludidos com a política, desacreditados de tudo, resignados à situação de impotência, incapazes de levantar a cruz que carregam como se fossem culpados pela sua própria situação, podem ver a esperança renascer. É preciso voltar a acreditar que vale a pena a luta contra as injustiças, que há outro caminho que não o preto e branco, há alternativa à austeridade que nos impuseram como inevitável. Na Grécia há uma esquerda que não se conforma, que não atira a toalha ao chão.

Se acreditarmos que não vai ser sempre assim, que pode ser diferente, como estão a demonstrar os gregos, então a coisa muda mesmo.

O capitalismo internacional, as instituições europeias e mundiais que o representam, “os de cima”, demonstram um nervosismo invulgar, o medo de perderem os seus privilégios, os seus negócios, as suas rendas enormes, o património que arrebanharam à custa da miséria e da exploração de milhões de homens e mulheres. Eles temem que a Grécia seja o princípio e se alastre a outros países e a outros povos, e isso leva-os a desenvolver a maior chantagem sobre os eleitores jamais vista, tudo vale para que o povo grego no próximo domingo não decida em liberdade, eles querem apenas o preto ou o branco, mas o arco iris é muito mais do que isso.

Também em Portugal se precisa destes ventos. É preciso voltar a acreditar, voltar a confiar, um novo ciclo político pode vir aí.

 

Antonio Gomes

 

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O próximo futuro - Crónica do António Gomes

O próximo futuro

O novo quadro comunitário de apoio chegou. Muitos milhões de euros.

Para que não se repitam os erros do passado, as prioridades devem ser claras e debatidas com todos. É tempo de encontrar os melhores projetos, prioritários, sustentáveis, realistas. O tempo dos desvarios tem que acabar.

Os melhores projetos serão, certamente, aqueles que saírem do envolvimento das pessoas, das forças vivas, do associativismo, dos partidos políticos. Da economia à cultura, do ambiente à saúde, do ordenamento do território às infraestruturas, as necessidades ainda são muitas. 

Por cá, em Torres Novas, as prioridades têm que ser muito bem debatidas. Do meu ponto de vista deviam mesmo ser colocadas à decisão das populações. Não se podem repetir os erros do passado – grandes obras na cidade – enquanto problemas básicos ficaram para trás. 

A Câmara Municipal vai recorrer ao novo quadro comunitário. Deve fazê-lo com rigor e com prioridades claras. Na última assembleia municipal, aquando da discussão do orçamento para 2015, o BE questionou o PS sobre este futuro que está tão perto: que projeto de desenvolvimento para Torres Novas? E para a região onde estamos inseridos? Que propostas sobre a criação de emprego, principal problema das pessoas e dos jovens em particular? Que politicas para a captação de investimentos para o concelho e para a região do Médio Tejo? Que projetos para o rio Almonda, um potencial fator de desenvolvimento para o concelho?


Estas preocupações são, estou convicto, preocupações de uma larga faixa da população do concelho. O desafio ao PS, à maioria que governa o concelho, é simples: estão ou não disponíveis para construir um projeto de desenvolvimento, que seja um projeto do município e não apenas o projeto do PS? Estão ou não disponíveis para acolher outras ideias, outras propostas, dos órgãos autárquicos, da sociedade, vindas de outras latitudes?
Julgo que seria um bom começo.

Antonio Gomes

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Crónica do António Gomes - Comboios


Comboios

A EMEF, Empresa de Manutenção e Equipamento Ferroviário, é a empresa responsável pela manutenção e reparação dos comboios em Portugal, passageiros e mercadorias, pertence ao Grupo CP, até 1992 era as oficinas da CP.

Tem nos seus quadros cerca de 1000 trabalhadores colocados em vários locais distribuídos pelo País, cuja maior concentração é no Entroncamento, cerca de 500, um número significativo reside no concelho de Torres Novas e noutros concelhos limítrofes.

Para além de assegurar toda a reparação dos comboios da CP, realiza trabalhos para outros clientes nacionais e internacionais, é uma empresa exportadora na área de metalomecânica pesada (vagons) e de serviços técnicos pioneiros para a manutenção de veículos ferroviários.

A segurança, qualidade e fiabilidade do material ferroviário é condição primeira para o êxito deste tipo de transporte, é a EMEF que dá essa garantia. A experiencia, o conhecimento o domínio destes trabalhos só é assegurado em Portugal pelos trabalhadores desta empresa, mais ninguém pode dar essa garantia.

A CP quando apregoa melhorias nos resultados económicos e no aumento de passageiros transportados deveria lembrar-se desta empresa, só a EMEF pode garantir à CP a qualidade e segurança verificada até hoje.

Apesar da ausência de investimento em comboios novos e na manutenção dos atuais (comboios pendulares) a qualidade oferecida tem-se mantido e isso deveria obrigar o governo a olhar para esta empresa como uma empresa estratégica para o país, para a economia do país, para a mobilidade de milhões de pessoas por ano.

O governo do PSD/CDS vem agora colocar no Orçamento de Estado 2015 o objetivo da privatização. Não se conhecem razões justificativas para tal decisão, pelo que só existe uma, razões ideológicas e nada mais, é preciso acabar o programa de privatizações e ai está a direita não quer saber de mais nada, privatiza-se e pronto.

Segurança, qualidade, fiabilidade, postos de trabalho, direitos dos trabalhadores, interesse nacional, nada disso interessa, é a agenda privatizadora.

Há um pequeno se não, que o governo não faz contas, são os trabalhadores que não estão disponíveis para abdicar do seu posto de trabalho, dos seus direitos, da sua empresa publica de interesse nacional e isso vai fazer a diferença.

Muitos podem fazer o trabalho, mas só estes na EMEF dão as garantias que o País precisa e os passageiros têm direito.

Antonio Gomes

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O tarifário da água e do saneamento - Crónica de António Gomes



Confrontadas duas faturas da água do mesmo cliente da empresa Águas do Ribatejo, uma da habitação a outra do pequeno estabelecimento comercial de que é proprietário, ambas com um consumo de água de 4m3,verifica-se que pela fatura da habitação pagou 13.48 euros e a outra do estabelecimento comercial que pagou 30.10 euros.
 
Esta diferença de mais de 100% “justifica-se”, por se tratar de tarifários diferenciados pela classe domésticos e não domésticos (comerciais e industriais), será isto justo? Julgo que não tem qualquer justificação e a situação agrava-se porque o saneamento é pago em função do consumo da água (90%).
 
Se se tratasse de consumos de água no estabelecimento comercial ou industrial de 15m3, ou mais facilmente se concluiria que a água é uma mais valia no respetivo negocio, contribui de forma decisiva para a atividade do respetivo comercio ou industria e como tal deve ser taxada por um valor superior, é assim que deve ser, é uma questão de justiça.
 
Mas o caso ou os casos de todos(as) aqueles(as) que consomem 4 ou 5 m3 não se enquadra no acima dito, são pequenos comércios cujo consumo é apenas para o sanitário e a lavagem do chão, não podem ser taxados como se de grandes consumidores se tratassem e a diferença é enorme como se vê por este exemplo.
 
Não se pode tratar por igual o que é diferente, a Águas do Ribatejo e a Câmara Municipal têm a obrigação de olhar para esta injustiça e corrigi-la. A proposta para incluir justiça nesta situação já foi feita, não teve acolhimento, até agora sem a devida justificação, mas quem a fez não vai desistir, assim os interessados o queiram.
O centro histórico de Torres Novas e outros certamente agradeceriam a atitude e a justiça social marcava pontos. 
 
Antonio Gomes
 
 
 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Crónica de António Gomes: "A hora da despedida tem mais encanto"


A hora da despedida tem mais encanto

 
O presidente da Assembleia Municipal de Torres Novas anunciou a sua ausência da reunião de discussão do orçamento municipal e também nas seguintes. Lá terá as suas razões…, de facto é uma forma inovadora de anunciar a sua retirada das responsabilidades autárquicas concelhias.

É certo que também já tivemos um ministro com uma demissão irrevogável e ainda por lá continua, aguardemos pelo próximo capítulo.

Tratou-se de mais uma cena de ciúmes com o atual presidente de Câmara, que foi seu vice, sempre fiel durante 20 anos. A fidelidade de Pedro Ferreira para com Antonio Rodrigues foi a toda a prova, não se conhece nem sequer um amuo disfarçado. Mudam-se os papéis dos atores e a infidelidade é logo notória e pública, até chegar ao ponto do afrontamento direto em reunião do órgão Assembleia Municipal. Não havia necessidade.

O presidente da Câmara esteve mal na condução do processo ao enviar para a AM um orçamento que não contempla a taxa aprovada para o IMI, embora o PS o tenha aprovado na Câmara, sozinho.

Mas a forma despropositada com que o assunto foi empolado pelo Presidente da A. M., revela algo de extraordinário que mais parece um ajuste de contas.

Toda a gente sabe que uma das condições, não sendo a única, para a governação é o apoio politico que o partido no poder empresta ao executivo, neste caso camarário. Mas à luz do que se passou na AM esse apoio encontra-se, no mínimo, titubeante. Não se ouviu uma única voz do PS sobre as propostas do executivo: nem sobre a política fiscal, nem sobre a ARU (Área de Reabilitação Urbana) projeto considerado estratégico para o concelho. Mais do que a contenda entre presidente da Câmara e presidente da Assembleia, são as políticas que contam para a vida das pessoas. E, sobre isso o PS nada disse.

Antonio Gomes

domingo, 9 de novembro de 2014

Crónica de António Gomes: "Orçamentos, impostos e o rendimento a minguar"


 
 
Orçamentos, impostos e o rendimento a minguar

 
 
Os orçamentos municipais são instrumentos de gestão fundamentais para a atividade das autarquias. Devem ser rigorosos e transparentes, devem corresponder à conjuntura politica, à economia local e atender às dificuldades das pessoas.

Em Torres Novas durante muitos anos tivemos orçamentos empolados, fora da realidade. Estamos agora a pagar e muito, empréstimos e mais empréstimos ao Estado (PAEL) e particularmente à banca, criando um garrote de tal maneira que impede qualquer veleidade em investimentos tão necessários ao concelho e à população.

Apesar das dificuldades continuam a existir receitas que necessitam de ser bem canalizadas. Um conjunto muito significativo de estradas encontram-se em estado lastimoso, dentro das nossas aldeias e nas ligações da sede do concelho às várias freguesias: Pafarrão, Casal da Pena,  Pena, Liteiros, Vale da Serra, Cotoas/Caveira, Riachos/Boquilobo, para dar alguns exemplos, assim como a ligação estrutural Torres Novas – Entroncamento.

O rio Almonda, um potencial do ponto de vista económico, abandonado há décadas, necessita urgentemente de intervenções que o salvem de maior degradação.

O centro histórico, ou o centro de ruinas como alguém lhe chama, parece que vai finalmente ter um instrumento de gestão adequado – ARU (Área de Reabilitação Urbana). Esperemos que os próximos orçamentos correspondam ao desafio, porque, caso contrário, será o fim de toda uma área que marcou a história de Torres Novas.

Os impostos são a outra parte desta história. As autarquias têm o poder de decidir sobre uma parte importante do IMI, da Derrama e do IRS assim como sobre muitas das taxas que pagamos.

O IMI é o imposto que mais conta nas receitas da autarquia, em 2014 a autarquia torrejana deve arrecadar cerca de 4 milhões de euros, mais de 20% do que no ano anterior, já em 2013 o aumento da receita do IMI foi de 16% relativamente a 2012. O PS, que dirige a CM, tem aplicado valores muito para além do razoável. As famílias estão muito sobrecarregadas com impostos que somam à baixa de rendimentos impostos pelo governo.

As famílias vão sentir de forma muito agravada o aumento do IMI em 2015, porque o governo pretende retirar do OE a clausula que impunha um teto ao valor cobrado, que já tinha disparado por via da avaliação recente realizada aos imóveis.

O PS/local tem particular responsabilidade na decisão que vier a ser tomada, o valor mínimo possível 0,3%, tem de ser o valor máximo a aplicar, não há outra saída.  

As pessoas estão primeiro.

Antonio Gomes

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crónica de António Gomes - “Job for the boys”?


Job for the boys”?

 

A câmara e assembleia municipal de Torres Novas aprovaram por maioria os estatutos da nova Associação de Municípios do Vale do Tejo (só o BE votou contra). Estes estatutos vêm ordenar juridicamente a nova associação, que terá como principal atividade a gestão da Colónia Balnear da Nazaré, que atualmente se encontra impedida de funcionar por degradação do edificado.

Nos estatutos agora votados ficou incluído a criação de um secretariado geral e um lugar de secretário-geral - remunerado.

As organizações, todas, precisam de pessoas para funcionar. Não há dúvidas sobre isso, sendo que neste caso criou-se a assembleia intermunicipal, órgão deliberativo, e o conselho diretivo, órgão executivo, para além do quadro de pessoal hierarquizado, como não podia deixar de ser para o funcionamento dos equipamentos.

A pergunta salta à vista: para quê um secretariado geral e um secretário-geral? Que funções? Que atribuições? Que responsabilidade lhe vai ser atribuída? A estas legitimas e pertinentes perguntas ninguém sabe ou não quer responder.

Sabemos da existência de lugares criados a pedido, da ocupação dos chamados “job for the boys”, mas normalmente é sempre lá longe… Este é diferente, é nas nossas barbas e por isso deve merecer da cidadania e dos políticos locais uma atenção especial, principalmente daqueles que não gostam de se verem confundidos com aqueles que fazem da política um modo estranho de vida.

Numa altura em que os populismos proliferam, a democracia é questionada sobretudo pelo afastamento das pessoas, até do voto. Estes exemplos só agravam ainda mais esse divórcio e quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Acredito que os políticos não são todos iguais.

Antonio Gomes

domingo, 12 de outubro de 2014

Crónica de António Gomes - "As pequenas coisas, …. que valem quase tudo"



As pequenas coisas, …. que valem quase tudo


A adufa do açude Real no rio Almonda encontra-se num estado de abandono tal, que não dá para aprisionar a água que tanta falta faz a montante, desde logo para cobrir a estacaria que suporta as margens, para abastecer o espelho de água que está em frente ao açude e simplesmente para que a agua corra por cima do açude.

Entre muitos edifícios em ruina e pré-ruína no centro da cidade destaco apenas um, o da rua da Regueira de água, parece que alguém anda à espera de uma catástrofe, muita gente continua a passar ali.

Na praça 5 de outubro, bem no centro o piso abateu e nasceu uma cova que não é bem visível devido à ilusão óptica que cria. A praça 5 de outubro é só o local mais emblemático da cidade, para que a calçada comece a arrancar não falta quase nada.

No largo dos bancos, D. Diogo Fernandes, está o lago seco, há mais de dois anos, abandonado a proporcionar uma imagem de degradação e de abandono inimaginável.
Na ponte pedonal sobre o rio que liga a zona dos Mesiões à rua do Bom Amor, muito haveria a dizer mas refiro apenas os topos da ponte que se encontram intransitáveis com riscos grandes para a segurança de quem ali circula.

Na Meia Via rua Luiz de Camões encontra-se um prédio a estrangular a rua e que dessa forma impede o trânsito de circular com normalidade e os peões de passarem em segurança.

Na rua da Rata Cega, lá está o carril, solto, à espera de imobilizar algum veículo dos muitos que ali circulam. (esta situação é recorrente).

Estas situações de pequena dimensão são aqui chamadas não só pelo fato de se encontrarem no estado descrito, mas sobretudo porque se arrastam há tempo de mais, algumas há alguns anos. Incompreensível, inaceitável, piore ainda, já foram alvo de proposta ou de chamada de atenção.

Na Av. Sá Carneiro finalmente estão em vias de resolução o desnível das passadeiras de peões para que os portadores de deficiência motora as possam atravessar, foram precisos alguns anos, mas vale mais tarde, do que nunca.

As pequenas coisas fazem muitas vezes a diferença, às vezes valem tudo, mas poucos assim o entendem.
António Gomes


sábado, 6 de setembro de 2014

Crónica de António Gomes:Terá de ser mesmo assim?


Terá mesmo que ser assim?
O estado em que se encontra o rio Almonda no troço entre as piscinas e o Açude Real é simplesmente miserável.
O nível da água baixou acentuadamente pondo a descoberto a estacaria que dá suporte às margens gerando o seu apodrecimento. Como a água baixou, deixou de poder correr para o espelho de água que se encontra frente ao jardim das rosas, provocando a estagnação das águas com as consequências dai resultantes: desde logo a água deixou de correr no açude retirando o “efeito lâmina” que criava, mas, pior ainda, as plantas dentro do “espelho” crescem assustadoramente devido à de ausência de oxigénio.
A água represada à entrada da vala que alimentava a central elétrica acumula lixo de toda a espécie, um nojo autêntico, a água deixou de correr no açude colocando à vista as placas de madeira, assim como a porcaria que se acumulou nos degraus do açude.
Lamentável!
Uma das zonas mais emblemáticas da cidade está simplesmente abandonada, entregue à sua sorte.
A incúria, a irresponsabilidade, mas acima de tudo a insensibilidade demonstrada há já vários anos sobre o rio e o que ele deve representar para o concelho, do ponto de vista económico, social, turístico e desportivo, estão na origem deste desleixo. É a imagem da cidade para quem cá vive e para quem nos visita.
Não há desculpas possíveis ou justificações forçadas para esta situação.
É o rio e o centro histórico, são dezenas de anos de abandono, de insensibilidade e de falta de visão politica para o futuro. Quem nos acode?
Nota: Aproveito para saudar a “teimosia” de José Júlio Antunes na defesa do nosso Almonda
Antonio Gomes

domingo, 24 de agosto de 2014

Em agosto - Crónica de António Gomes


(img: http://ucatn.blogspot.pt/)


Em agosto


Faleceu Canais Rocha

Um lutador pela liberdade, um camarada operário, um fazedor de coisas para os outros. Já muito se escreveu sobre a sua vida, quero apenas aqui lembrar, em jeito de testemunho e homenagem pessoal, um 1º de maio alguns anos atrás, não me lembro ao certo quantos. Canais Rocha não percebia, tal como muitos outros, porque não se comemorava e assinalava esta data em Torres Novas, localidade com história e tradição de lutas operárias. Nesse ano realizou-se uma sessão comemorativa na Alcaidaria do Castelo com o seu contributo, foi muito interessante ouvi-lo sobre a história do movimento operário. Canais Rocha deixa uma obra e muito boas recordações. 




Turrisespaços



(img: http://www.cm-torresnovas.pt)


Tal como aqui escrevi e era mais que previsível o Tribunal de Contas não acolheu os argumentos da maioria socialista da Câmara Municipal. A Turrisespaços acabou e o Tribunal no acórdão 26/2014 não é nada meigo com a gestão deste dossiê. Infelizmente só a maioria não quis ver o que estava à frente dos olhos de toda a gente, não é só de agora já se arrasta há alguns anos e o caminho seguido foi sempre varrer para debaixo do tapete.

Agora com responsabilidade mas também com humildade é preciso reconhecer que estavam errados os que teimaram em desrespeitar o Tribunal, criar falsas expetativas aos trabalhadores e colocar em risco todo um trabalho feito à volta do Teatro Virgínia. Trabalhar para a internalização dos serviços e garantir todos os postos de trabalho é o que tem de ser feito, com respeito por quem há muito indicou o caminho que deveria ser seguido.

Ponte do Nicho

A ponte para peões há muito reivindicada pelo Bloco de Esquerda está feita, é assim que deve ser, atender às necessidades urgentes das pessoas como era o caso sem necessitar de tanta luta. Valeu a teimosia e a persistência, ganharam as pessoas que ali passam todos os dias.


Antonio Gomes

domingo, 27 de julho de 2014

SERÁ DESTA? - Crónica de António Gomes

Será desta?

Há poucos dias, tive a oportunidade de participar na inauguração de um espaço bem no centro da cidade de Torres Novas, destinado à realização de conferências, festas, exposições e de outras iniciativas de índole muito variada. Devo dizer que gostei do que vi. Também tenho verificado, ultimamente, que têm vindo a abrir alguns estabelecimentos no chamado centro, um cabeleireiro ali, uma loja de bebidas acolá, um quiosque mais ao lado, uma bijuteria mais acima, uma loja de antiguidades mais abaixo…

A primeira reação que me ocorre é a de admirar a coragem e a persistência destas pessoas que apesar da duríssima crise que teima em não nos deixar, ai estão para tentar trocar as voltas à resignação.

Mas a coragem demonstrada tem ainda outro significado, muito mais profundo, se atendermos ao estado geral em que se encontra o edificado do centro histórico (sem capacidade de atração), ao despovoamento generalizado desta zona da cidade e também ao valor altíssimo de algumas taxas diretamente relacionadas com estes investimentos. Coragem não lhes falta.

A propósito desta temática, a Câmara Municipal deu esta semana um passo importante que bem pode ajudar a contrariar a situação atrás descrita: foi criado um grupo de trabalho, constituído por técnicos/as da autarquia para congeminar algumas ideias e elaborar algumas propostas que dotem o centro histórico com capacidade de atração, onde se viva com qualidade e se trabalhe, ideias que reforcem o ânimo dos “corajosos” e ajudem à iniciativa daqueles e daquelas que estão na expetativa mas que face à realidade ainda não deram o passo decisivo.

A tarefa é de peso, o desafio é enorme, mas julgo é assim mesmo, é preciso pensar grande, para poucochinho já chega, esta cidade ainda pode dar que falar no que a reabilitação diz respeito. 

Estacionamentos, povoamento, energias renováveis, política fiscal, juventude, animação, cultura, ideias, estou certo, não faltarão. Mas precisamos de estratégia, em torno da qual todas as ideias encaixam.

Deixo apenas um alerta: o segredo do êxito destas iniciativas está na capacidade que a autarquia tiver para construir um projeto, envolvendo os eleitos/as e a cidadania, está na democracia.


António Gomes