O próximo futuro
O novo quadro comunitário de apoio chegou. Muitos milhões de euros.
Para que não se repitam os erros do passado, as prioridades devem ser claras e debatidas com todos. É tempo de encontrar os melhores projetos, prioritários, sustentáveis, realistas. O tempo dos desvarios tem que acabar.
Os melhores projetos serão, certamente, aqueles que saírem do envolvimento das pessoas, das forças vivas, do associativismo, dos partidos políticos. Da economia à cultura, do ambiente à saúde, do ordenamento do território às infraestruturas, as necessidades ainda são muitas.
Por cá, em Torres Novas, as prioridades têm que ser muito bem debatidas. Do meu ponto de vista deviam mesmo ser colocadas à decisão das populações. Não se podem repetir os erros do passado – grandes obras na cidade – enquanto problemas básicos ficaram para trás.
A Câmara Municipal vai recorrer ao novo quadro comunitário. Deve fazê-lo com rigor e com prioridades claras. Na última assembleia municipal, aquando da discussão do orçamento para 2015, o BE questionou o PS sobre este futuro que está tão perto: que projeto de desenvolvimento para Torres Novas? E para a região onde estamos inseridos? Que propostas sobre a criação de emprego, principal problema das pessoas e dos jovens em particular? Que politicas para a captação de investimentos para o concelho e para a região do Médio Tejo? Que projetos para o rio Almonda, um potencial fator de desenvolvimento para o concelho?
Estas preocupações são, estou convicto, preocupações de uma larga faixa da população do concelho. O desafio ao PS, à maioria que governa o concelho, é simples: estão ou não disponíveis para construir um projeto de desenvolvimento, que seja um projeto do município e não apenas o projeto do PS? Estão ou não disponíveis para acolher outras ideias, outras propostas, dos órgãos autárquicos, da sociedade, vindas de outras latitudes?
Julgo que seria um bom começo.
Antonio Gomes
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
A Crónica do António Gomes - Comboios
A EMEF, Empresa de
Manutenção e Equipamento Ferroviário, é a empresa responsável pela manutenção e
reparação dos comboios em Portugal, passageiros e mercadorias, pertence ao
Grupo CP, até 1992 era as oficinas da CP.
Tem nos seus
quadros cerca de 1000 trabalhadores colocados em vários locais distribuídos
pelo País, cuja maior concentração é no Entroncamento, cerca de 500, um número
significativo reside no concelho de Torres Novas e noutros concelhos
limítrofes.
Para além de
assegurar toda a reparação dos comboios da CP, realiza trabalhos para outros
clientes nacionais e internacionais, é uma empresa exportadora na área de
metalomecânica pesada (vagons) e de serviços técnicos pioneiros para a
manutenção de veículos ferroviários.
A segurança,
qualidade e fiabilidade do material ferroviário é condição primeira para o êxito
deste tipo de transporte, é a EMEF que dá essa garantia. A experiencia, o
conhecimento o domínio destes trabalhos só é assegurado em Portugal pelos
trabalhadores desta empresa, mais ninguém pode dar essa garantia.
A CP quando apregoa
melhorias nos resultados económicos e no aumento de passageiros transportados
deveria lembrar-se desta empresa, só a EMEF pode garantir à CP a qualidade e
segurança verificada até hoje.
Apesar da ausência de
investimento em comboios novos e na manutenção dos atuais (comboios pendulares)
a qualidade oferecida tem-se mantido e isso deveria obrigar o governo a olhar
para esta empresa como uma empresa estratégica para o país, para a economia do
país, para a mobilidade de milhões de pessoas por ano.
O governo do
PSD/CDS vem agora colocar no Orçamento de Estado 2015 o objetivo da
privatização. Não se conhecem razões justificativas para tal decisão, pelo que
só existe uma, razões ideológicas e nada mais, é preciso acabar o programa de
privatizações e ai está a direita não quer saber de mais nada, privatiza-se e
pronto.
Segurança,
qualidade, fiabilidade, postos de trabalho, direitos dos trabalhadores,
interesse nacional, nada disso interessa, é a agenda privatizadora.
Há um pequeno se
não, que o governo não faz contas, são os trabalhadores que não estão
disponíveis para abdicar do seu posto de trabalho, dos seus direitos, da sua
empresa publica de interesse nacional e isso vai fazer a diferença.
Muitos podem fazer
o trabalho, mas só estes na EMEF dão as garantias que o País precisa e os
passageiros têm direito.
Antonio Gomes
Assembleia Municipal 11 de dezembro - Orçamento 2015
Orçamento 2015
Sr. Presidente,
Srs. Autarcas
Os impostos diretos
cobrados pelo município representavam em 2009, 15% do total de receitas, mas
prevê-se que em 2015 passem a valer 22%, onde o IMI tem um lugar destacadíssimo
como se sabe, só este ano vão ser mais 400 000 euros.
A cobrança dos
resíduos sólidos foi de 1. 085 000 euros em 2009, em 2013 1. 464 000 euros e
prevê-se que em 2015 seja de 1.566 000, mais quase 500 000 euros em 5 anos,
cerca de 50% mais.
O saneamento terá
uma subida de 7% para carregar ainda mais nos orçamentos familiares.
Podíamos somar aqui
a brutal subida dos impostos decretados pelo governo do PSD/CDS e a baixa de
rendimentos acentuada, porque são as mesmas pessoas que pagam tudo.
Veja-se a título de
exemplo as remunerações dos trabalhadores da CM que de 2009 a 2013 baixaram
1.700 000 euros, menos 23%.
Os munícipes do
concelho têm vindo a pagar as duas crises a nacional da responsabilidade do
governo e a municipal da responsabilidade do PS, não há duvidas sobre isso. Esta
opção, pela politica austeritária, está a sacrificar as pessoas de uma forma desumana, este caminho não pode continuar, são
os números que o dizem.
A política de
austeridade marca este orçamento.
O PS, ao invés de
contrariar a politica do governo, como é o caso do IMI, não, aproveita a onda e
cobra. O IMI este ano de 2015 vai afetar um número significativo de famílias de
uma forma intensa como todos sabemos. Com o fim da cláusula de salvaguarda, o
PS tinha aqui a oportunidade de fazer a diferença de olhar para as pessoas,
fazer política para as pessoas, mas preferiu cavalgar a onda do governo.
Bem sabemos que as
opções do PS dos anteriores mandatos hipotecaram o futuro, mas como diz o povo
"quem melhor fizer a cama nela se deitará". Os bancos, sempre os bancos, levam
tudo é verdade, mas também é verdade que ao longo dos anos, o BE foi aqui
alertando para os orçamentos de mentira, para as megalomanias e isso não pode
ser esquecido.
Também o PS
escreveu, neste orçamento, que tem uma estratégia para o próximo quadro
comunitário de apoio, era bom que não cometesse os mesmos erros do anterior, é
que as ideias que lá estão já vêm do passado, a situação hoje é outra, os
apoios dirigem-se a outro tipo de objetivos, os critérios são diferenciados.
É certo que será
sempre o plano estratégico do PS. Mas podia ser o plano estratégico do
município se houvesse abertura para isso, para ouvir outros, para ouvir a
sociedade civil. Aqui fica o desafio ao PS: Está ou não disponível para
construir um plano de desenvolvimento que seja inclusivo de outras propostas,
vindo de outras latitudes?
A curto espaço de
tempo é preciso olhar para o eixo Torres Novas-Entroncamento, a começar pela
rede viária, cuja principal ligação EN3 se encontra num estado miserável e nem
uma referência no orçamento; Também os transportes urbanos municipais, que estão
à espera de caírem devagarinho, estão sem estratégia, sem ideias, sem soluções. O BE apresentou uma proposta para estudo, era bom que fosse tida em conta.
O rio Almonda é um
potencial fator de desenvolvimento e de qualidade de vida, mas encontra-se
totalmente abandonado, sem estratégia e sem preocupação, que se veja no imediato,
para acudir a situações urgentes. Também faz parte das propostas do BE
apresentadas.
O emprego carece de
horizontes abrangentes que incluam outros municípios, é ai que está a chave
para começar a dar a volta à situação dramática de milhares de cidadãos e
cidadãs da nossa região, qualquer estratégia isolacionista não passará do
papel.
O Bloco de Esquerda
apresentou um conjunto de ideias e propostas, algumas para o curto prazo, de
custos reduzidos e estamos em crer que, devagarinho, algumas vão fazendo o seu
caminho.
- Limpeza do centro
histórico de imediato.
- Plano para o
controle da população de pombos.
- Reabilitação do
espaço conhecido como Azulada na freguesia de Assentiz.
- Criação de um
circuito de manutenção, que não existe nada na cidade para a prática da
atividade física ao ar livre.
Etc, etc.
Outras propostas de
maior envergadura para além das já referidas para os TUT e rio Almonda,
- Festas
da cidade intercalando com a feira medieval;
- Compra do prédio na Meia Via que
estrangula o trânsito e cria insegurança para as pessoas;
- Projeto de
recuperação das pontes na freguesia de Riachos.
Devem ser
repensados projetos como o museu Alfredo Keill, requalificação da Av João Paulo
II, porque não há dinheiro e porque não há justificação para estes projetos.
Necessário, a par da
pavimentação de muitas estradas e ruas já aqui faladas e plasmadas em orçamento,
particularmente na parte rural do concelho, é a pavimentação do troço da Av. João
Paulo II. Pavimentação é o que é preciso e nada mais.
Subida de impostos,
inexistência de estratégia, opções duvidosas, não nos deixam grande margem,
votamos contra.
Os autarcas do BE
João carlos Lopes
Antonio Gomes
José Manuel do
Rosário
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Moção - Pelo Fim da Violência contra as Mulheres apresentada em reunião de CMTN pela Vereadora do BE de Torres Novas - Helena Pinto
Moção
Pelo Fim da Violência contra as Mulheres
Desde 1999 que a ONU
instituiu a data de 25 de Novembro como Dia Internacional pela Eliminação da
Violência contra as Mulheres. Data para mobilizar a sociedade em todo o mundo e
data escolhida para homenagear as três irmãs Mirabal, activistas na luta contra
o ditador Trujillo da República Dominicana, mortas nesse dia no ano de 1960.
A nível internacional
os números dizem que em 3 mulheres uma já foi ou será vítima de algum tipo de
violência. São conhecidas experiências que mostram como as pessoas fingem
desconhecer, tapam os olhos, evitam encarar e denunciar situações de violência
que estão logo ali na casa ao lado, na rua por onde circulamos, dentro do
elevador. Temos que “meter a colher”, ser definitivamente intolerantes para com
a violência. Mesmo que não nos afecte, intervir, denunciar, apoiar e lutar pela
erradicação da violência são deveres da cidadania e de uma sociedade decente.
Em 2013 foram
registadas 27 318 participações de violência doméstica por parte das forças de
segurança, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), de que
resultaram 40 homicídios conjugais (30 mulheres e 10 homens). Também segundo
dados do RASI referentes ao primeiro semestre de 2014, as polícias receberam 13
071 participações, ou seja, 73 queixas por dia, isto é, 3 queixas por hora.
Numa iniciativa simbólica
em frente à Maternidade Alfredo Costa no dia 1 de Novembro, várias organizações
de defesa dos direitos das mulheres lembraram as 33 mulheres assassinadas até
essa data e as 382 mortas nos últimos 10 anos. A maioria dos casos ocorreu na
família em relações íntimas presentes ou passadas. Uma verdadeira guerra civil
no lar, aquele sítio que, à partida, imaginamos como o mais seguro e aprazível
para se viver! Neste momento este número já subiu para 40 mulheres mortas!
A frieza dos números
tem de ter uma tradução nas consciências de que são pessoas que foram
maltratadas e a algumas foi mesmo retirado o direito básico a viver. Sabemos
que o aumento das participações corresponde a uma maior consciência dos
direitos que levaram a que alguém deixasse de ter vergonha, que alguém
decidisse intervir, que alguém deixasse o silêncio e pedisse ajuda. Sabemos que
o facto de haver mais participações não significa que agora há mais violência
do que antes. Não. Agora há mais consciência dos direitos, as campanhas e as organizações
de direitos das mulheres têm feito um caminho, mas é impossível que esta
constatação nos satisfaça. Uma que seja é uma vida que foi abusivamente
retirada.
A violência contra as
mulheres é um problema de poder, de justiça, de igualdade, de educação, de
segurança e deriva de uma discriminação de género que está na base da sociedade
patriarcal em que vivemos. Quando lemos as notícias, é recorrente surgir o ciúme,
as atitudes possessivas, o controlo, a incapacidade de lidar com o sentimento
de perda como “explicações” para os assassinatos de mulheres. Temos leis. Temos
planos contra a violência de género. Mas não podemos tolerar o massacre que é a
vida, as vidas de milhares e milhares de mulheres. A lei não basta; por isso,
os membros da sociedade têm que intervir, denunciar e não fechar os olhos. A
prevenção é fundamental, as campanhas, todos os meios que eduquem para o
respeito, a não discriminação, a cidadania têm de ser constantes e eficazes. A
justiça tem que ser rápida e tem que dar sinais claros de que protege as
vítimas e pune os agressores.
Assim, a Câmara Municipal de Torres Novas,
reunida a 10 de Dezembro de 2014, Dia Internacional dos Direitos Humanos, decide:
1. Recordar e homenagear todas
as mulheres assassinadas.
2. Apelar aos cidadãos e às
cidadãs para que se mobilizem contra este crime.
3. Proceder à elaboração de um
Plano Municipal Contra a Violência de Género.
Torres Novas, 10 de Dezembro de 2014
Helena Pinto
Vereadora do Bloco de Esquerda
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
O tarifário da água e do saneamento - Crónica de António Gomes
Confrontadas duas faturas da água do mesmo cliente da empresa Águas do Ribatejo, uma da habitação a outra do pequeno estabelecimento comercial de que é proprietário, ambas com um consumo de água de 4m3,verifica-se que pela fatura da habitação pagou 13.48 euros e a outra do estabelecimento comercial que pagou 30.10 euros.
Esta diferença de mais de 100% “justifica-se”, por se tratar de tarifários diferenciados pela classe domésticos e não domésticos (comerciais e industriais), será isto justo? Julgo que não tem qualquer justificação e a situação agrava-se porque o saneamento é pago em função do consumo da água (90%).
Se se tratasse de consumos de água no estabelecimento comercial ou industrial de 15m3, ou mais facilmente se concluiria que a água é uma mais valia no respetivo negocio, contribui de forma decisiva para a atividade do respetivo comercio ou industria e como tal deve ser taxada por um valor superior, é assim que deve ser, é uma questão de justiça.
Mas o caso ou os casos de todos(as) aqueles(as) que consomem 4 ou 5 m3 não se enquadra no acima dito, são pequenos comércios cujo consumo é apenas para o sanitário e a lavagem do chão, não podem ser taxados como se de grandes consumidores se tratassem e a diferença é enorme como se vê por este exemplo.
Não se pode tratar por igual o que é diferente, a Águas do Ribatejo e a Câmara Municipal têm a obrigação de olhar para esta injustiça e corrigi-la. A proposta para incluir justiça nesta situação já foi feita, não teve acolhimento, até agora sem a devida justificação, mas quem a fez não vai desistir, assim os interessados o queiram.
O centro histórico de Torres Novas e outros certamente agradeceriam a atitude e a justiça social marcava pontos.
Antonio Gomes
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